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25. set. 2019

Dr. Carlos Aita concede entrevista a jornal do Sri Lanka sobre conscientização e cuidados com a diabetes

O Dr. Carlos Aita, responsável técnico do DB, esteve recentemente no Sri Lanka participando de um simpósio sobre hemoglobina glicada (HbA1c) e hemoglobinopatias. Além da sua participação no simpósio, o médico ainda concedeu uma entrevista ao jornal local Health, falando sobre diabetes e a importância da conscientização da doença. Confira a entrevista abaixo:

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Jornal Health – Globalmente falando, quão ruim é o problema da diabetes?
Dr. Carlos Aita – É um grande problema em todo o mundo, com uma prevalência estimada em mais de 10%, com médias de uma em cada dez pessoas com diabetes. Também é um fenômeno de rápido crescimento, pessoas com diabetes estão desenvolvendo complicações, adicionando uma carga significativa ao sistema de saúde. Portanto, é vital abordar a causa raiz do problema, em vez de aguardar que o problema exacerbe.

Jornal Health – Qual é a razão para o crescente número de pessoas com diabetes?
Dr. Carlos Aita – Inegavelmente, é a nossa vida sedentária. Hoje, comemos mais, porém menos alimentos saudáveis e fazemos menos exercícios também. Nossas vidas são consumidas por sentar-se na frente da televisão enquanto comemos algo. O que leva a obesidade, um dos principais motivos para o desenvolvimento da diabetes. Hoje em dia, há muito mais casos de diabetes do que talvez há 20 anos e, como mencionei, está aumentando rapidamente. Você quase não vê pessoas andando de bicicleta ou caminhando para aproveitar o ar fresco. Hoje em dia, há menos crianças brincando ao ar livre e mais jogando videogame – jogos que não exigem esforço físico.

Jornal Health – A diabetes também pode ser hereditária?
Dr. Carlos Aita – Sim, porém precisamos entender que diabetes não é uma doença, mas sim diferentes doenças com a mesma manifestação – aumento dos níveis de glicose no sangue. Diabéticos são pessoas com glicose elevada no sangue. O tipo 1, afeta principalmente crianças e adolescentes (em parte devido a uma suscetibilidade genética) e responde por 5% dos casos globais de diabéticos. No entanto, o que é mais relevante é o aumento da incidência de diabetes tipo 2, que envolve não apenas um comportamento genético, mas é altamente impactado pelo estilo de vida de um indivíduo.

Jornal Health – Como os países em desenvolvimento e os países desenvolvidos lidam com a Diabetes?
Dr. Carlos Aita – Em países desenvolvidos, o sistema de assistência à saúde entrou em cena para educar as pessoas sobre como a doença impacta, não só individual, mas também famílias, comunidades e o desenvolvimento de todo o país. A educação começa desde cedo, por isso é importante incentivar crianças e adolescentes a se exercitarem e terem uma alimentação mais saudável. Nos países em desenvolvimento e subdesenvolvidos, falar sobre diabetes ou disseminar educação/conscientização não é uma prioridade, pois há áreas mais importantes que ganham destaque na agenda nacional. Esta é a razão para que a diabetes esteja crescendo mais rapidamente nos países em desenvolvimento e subdesenvolvimento do que em países desenvolvidos.

Dr. Carlos Aita durante simpósio no Sri Lanka

Jornal Health – Quão ruim é o problema?
Dr. Carlos Aita – Muito simples, quando a doença se torna grave, podem ocorrer complicações crônicas como por exemplo o desenvolvimento de nefropatia. Mesmo pessoas com menos de 20 ou 30 anos de idade podem ficar cegas, serem amputadas ou até ficarem de cama. Você pode sofrer uma falência de orgãos, por exemplo, e exigir transplantes. É por isso que exercícios e dieta alimentar são tão importantes.

Jornal Health – Com que frequência são necessário os testes?
Dr. Carlos Aita – Na maioria dos casos, a diabetes é uma doença silenciosa. Existem diretrizes diferentes, mas a mais prevalente é quando você chega aos 45 anos ou mais, quando o rastreamento da diabetes se torna importante. Existem pelo menos três diferentes tipos de exames de triagem para diagnóstico da diabetes. Após fazer um desses testes, se o resultado for normal, recomenda-se repetir nos próximos três anos já que com o envelhecimento a tendência é engordar e fazer menos exercícios. Como as chances de desenvolver diabetes aumentam com a idade, é importante repetir os testes nos anos seguintes. Uma pessoa com peso normal poderia fazer o primeiro teste aos 45 anos, como indicado pelas sociedades médicas. No entanto, se a pessoa for obesa, os exames podem começar antes dos 20 anos. Crianças com sinais de obesidade devem realizar o teste o quanto antes, se houver diabetes detectado, já pode ser tratado desde cedo. Você também prolonga a saúde e minimiza os danos negativos, não apenas no tratamento da saúde, mas também nos gastos com a diabetes.

Jornal Health – Como a diabetes infantil pode ser detectada?
Dr. Carlos Aita – Crianças que desenvolvem o Tipo 1 da diabetes não poduzem mais insulina, esses pacientes tem todos os sintomas e manifestações clínicas da doença. Consequentemente, se apresentar esses sintomas, é importante consultar um médico. Crianças e adolescentes obesos também devem ir ao médico para avaliar a necessidade de realizar exame para diabetes.

Jornal Health – O Sr. Mencionou que a diabetes é uma doença silenciosa, se uma pessoa não tem histórico da diabetes, quais são os sintomas de que precisa estar ciente?
Dr. Carlos Aita –  Os sintomas mais comuns são: vontade frequente de urinar, especialmente à noite e sede excessiva. Essas duas condições apontam uma probabilidade de diabetes.

Jornal Health – Como o Sr. acha que as nações devem enfrentar esse problema?
Dr. Carlos Aita – Educação. Esse é um problema global e tem um impacto econômico maciço. O governo e os profissionais de saúde devem enfatizar na educação de toda população sobre hábitos alimentares saudáveis e estilo de vida. Olhe para o Sri Lanka, por exemplo, com suas belas praias naturais e espaços verdes. As pessoas deveriam usar esses espaços para se tornar saudáveis, fazendo caminhada, correndo ou nadando.

Jornal Health – Como o Sr. tem diabetes do Tipo 1, qual é a mensagem que gostaria de transmitir às pessoas diagnosticadas com diabetes?
Dr. Carlos Aita – A chance de desenvolver diabetes hoje em dia é realmente alta. Se você tem hábitos alimentares saudáveis e se empenha nos exercícios, estará mais seguro. Mudar seu estilo de vida não é difícil, é necessário força de vontade e a percepção de que você pode acabar ficando realmente doente; precisando de um transplante de órgão, ou uma amputação. É muito mais seguro ser saudável agora. Comer de forma saudável não significa abrir mão do açúcar ou das sobremesas. Embora eu seja diabético Tipo 1, como minha sobremesa todos os dias, porque caminho e ando de bicicleta diariamente, também acompanho a quantidade de calorias que ingiro. É tudo uma questão de equilíbrio.

 

Fonte: Revista Health, 15 de setembro de 2019, páginas 8 e 9.

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