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01. out. 2015

O impacto da biologia molecular na saúde da mulher

Atualmente, 49,6% da população mundial são representados por mulheres, segundo dados da Organização Mundial de Saúde. Embora homens e mulheres compartilhem desafios de saúde similares, as diferenças entre eles são tais que a saúde feminina merece atenção particular. No Brasil, as mulheres são maioria da população, passaram a viver mais, têm menos filhos e ocupam cada vez mais espaço no mercado de trabalho. Existem crescentes evidências científicas que sustentam um enfoque direcionado ao gênero e expandem o conceito de saúde da mulher para além da ênfase tradicional nos órgãos reprodutivos e suas funções.
Com os avanços científicos e tecnológicos, as áreas de biologia molecular e genética tornaram-se ferramentas poderosas no laboratório clínico, suplementando as condições diagnósticas de diversas doenças. Hoje, já é possível fazer previsões sobre o risco de desenvolvimento de doenças em indivíduos saudáveis, graças ao estabelecimento de associações de risco com polimorfismos genéticos presentes nas populações. Nesse contexto, a biologia molecular assume uma crescente importância na área diagnóstica, destacando-se aplicações em três grandes áreas: doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), doenças infecciosas e medicina personalizada.
Dentre as DCNTs mais impactantes estão as doenças cardiovasculares, o câncer e a diabetes. A cardiovascular é a principal causa de mortalidade nas mulheres. Já as doenças decorrentes das neoplasias malignas, como os cânceres de mama, colorretal, de pulmão, de colo do útero e de estômago, são o segundo maior grupo causador de mortes em mulheres por ano.
A revelação de que a atriz Angelina Jolie passou por um tratamento para remoção das mamas após descobrir uma predisposição genética que aumentava suas chances de desenvolvimento do câncer trouxe à tona a vasta possibilidade de identificar futuras doenças com base em testes genéticos.
Embora as doenças citadas sejam multifatoriais, a ciência tem mostrado que o componente genético é um fator importante. A possibilidade de realizar um exame genético joga luz à medicina preventiva. Apesar de muitas vezes não existir tratamento específico, o diagnóstico precoce de uma doença pode melhorar a qualidade de vida do paciente, prevenir ou retardar o aparecimento de sintomas, evitar tratamentos desnecessários e ainda alertar para o risco de recorrência da doença na família.
Quanto às doenças infecciosas, das dez principais causas de morte em mulheres no mundo, três estão nessa categoria: infecções do trato respiratório, HIV/Aids e diarreias.
As doenças respiratórias constituem importante causa de mortalidade no mundo: ocorrem mais de dois milhões de óbitos de mulheres anualmente devido a tuberculose, pneumonia e infecções respiratórias virais. Uma vez que a sintomatologia dessas três doenças é muito similar, é necessário um sistema diagnóstico que possa discriminar o agente infeccioso envolvido e também confirmar coinfecções. Os métodos moleculares ajudam a diminuir a prescrição desnecessária de antibióticos e a adotar tratamentos eficazes, além de contribuírem para a prevenção da transmissão dos patógenos respiratórios e para a redução do tempo de internação.
Referente ao HIV/Aids, segundo dados da OMS, é a principal causa de óbito entre as mulheres em idade reprodutiva. A biologia molecular apresenta vantagens frente à sorologia e, por isso, o Ministério da Saúde implementou recentemente um novo manual técnico para diagnóstico da infecção pelo HIV, a partir do qual se tornou obrigatória a utilização da ferramenta molecular para o diagnóstico. O objetivo é tornar mais precoce a detecção e melhorar o prognóstico e o manejo dos pacientes.
Quanto às diarreias, cerca de um milhão de mulheres morrem anualmente por infecções por patógenos como rotavírus, adenovírus, norovírus, E. coli, Shigella e Salmonella. A identificação desses patógenos por biologia molecular permite o diagnóstico etiológico precoce, evitando assim o uso desnecessário de antimicrobianos e orientando medidas clínico-epidemiológicas adequadas.
Os hábitos de vida das pessoas sofreram uma profunda mudança nos últimos anos, provocando o aumento de várias doenças. Paralelamente a isso, o diagnóstico molecular tem experimentado um rápido avanço e, dentro da própria área, estratégias mais complexas baseadas na utilização de variações da técnica de PCR. Sequenciamento de nova geração e arrays têm possibilitado a detecção de milhares de polimorfismos, associados à predisposição de doenças.
Essas tecnologias têm sido introduzidas na maior parte dos laboratórios como uma nova forma de abordagem médica, conhecida como medicina personalizada. Destacam-se a nutrigenética, a avaliação genética de rendimento esportivo, o risco cardiovascular e a farmacogenética. Com essas técnicas, é avaliado como características individuais podem condicionar a suscetibilidade de um indivíduo desenvolver determinadas patologias desencadeadas pelos efeitos das variações genéticas na interação com a dieta. Esses fatores podem indicar o risco de desenvolvimento de lesões musculares e do tendão de aquiles, osteoporose, dislipidemias, hipertensão e doenças cardíacas. É possível até mesmo avaliar a resposta do indivíduo frente a determinados tipos de tratamentos.
Em consonância com o avanço científico e refletindo o impacto da biologia molecular como ferramenta no laboratório clínico, a Divisão de Biologia Molecular do Diagnósticos do Brasil oferece um vasto conjunto de exames moleculares para as principais doenças que acometem a população feminina.

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