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30. jul. 2019

O Retorno da Preocupação com o Sarampo

Sarampo é uma doença infecciosa e altamente contagiosa, o vírus pode ser transmitido por meio de tosse e espirros, contato pessoal próximo ou contato direto com secreções respiratórias infectadas e pode permanecer ativo e contagioso no ar ou em superfícies por até 2 horas. Pode ser transmitido por uma pessoa infectada a partir de 4 dias antes do início dos sintomas e até 4 dias após o seu início. Surtos de sarampo podem resultar em epidemias que causam muitas mortes, especialmente entre crianças menores de cinco anos e desnutridas.

Os quadros de sarampo geralmente se iniciam com febre alta que aparece cerca de 10 a 12 dias após a exposição ao vírus possuindo duração de 4 a 7 dias. Os quadros iniciais podem vir acompanhados por congestão nasal, coriza, tosse, vermelhidão e lacrimejamento dos olhos e pela presença de pequenas manchas brancas no interior das bochechas. O estágio inicial da doença é seguido pelo aparecimento de pequenas manchas vermelhas que acomete inicialmente o rosto e pescoço e se espalha nos próximos dias atingindo mãos e pés e possui duração de 5 a 6 dias.

Embora não exista tratamento antiviral específico para o vírus do sarampo, as complicações da doença podem ser abordadas através de cuidados de suporte incluindo boa nutrição, ingestão adequada de líquidos e o tratamento para desidratação. O emprego de antibióticos é importante na presença de infecções dos olhos, ouvidos e nos casos de pneumonia. Administração de vitamina A é importante ajudando a prevenir danos oculares e cegueira e a reduzir o número de mortes por sarampo.

O conjunto de sinais e sintomas apresentado pelo paciente e o contexto epidemiológico onde o paciente está inserido são geralmente suficientes para se fazer o diagnóstico do sarampo. Mas também podem ser empregados métodos de diagnóstico laboratorial como testes sorológicos para a detecção de IgM contra o vírus do sarampo ou testes moleculares como o qPCR para a detecção do RNA viral a partir de amostras de secreções respiratórias e urina de preferência colhidas no quinto dia após o aparecimento do exantema.

PREVENÇÃO

Antes da introdução da vacina contra o sarampo no ano de 1963, ocorriam epidemias a cada dois ou três anos. O sarampo causava aproximadamente 2,6 milhões de mortes a cada ano principalmente em crianças menores de cinco anos de idade vivendo em países em desenvolvimento. A vacinação de rotina contra o sarampo para crianças, combinada com campanhas de imunização em massa em países com altas taxas de casos e mortes, são as principais estratégias de saúde pública para reduzir as mortes globais por sarampo. A vacina contra o sarampo está em uso há mais de 50 anos. A ampla imunização é importante e possui grande impacto na redução das mortes por sarampo.

O sarampo pode ser prevenido através da vacina tríplice viral contra sarampo, caxumba e rubéola. Uma dose da vacina tríplice viral gera imunidade em aproximadamente 93% dos vacinados. O emprego de duas possui eficácia de proteção em torno de 97%. De acordo com a Sociedade Brasileira de Imunização e o Ministério da Saúde, a primeira dose deve ser aplicada aos 12 meses de vida e a segunda aos 15 meses. Podendo ser administrada uma segunda dose da tríplice viral ou a vacina tetravalente (que inclui a catapora). Por ser uma vacina contendo vírus atenuado a vacina está contraindicada para gestantes, crianças menores de 6 meses de idade, indivíduos com imunossupressão, pacientes oncológicos ou em indivíduos com suspeita de sarampo. É uma vacina segura e eficaz que pode e deve ser administrada em grande parte da população.

Como conseqüência do esforço vacinal o Brasil possuía o certificado de zona livre de sarampo emitido em 2016 pela Organização Pan Americana de Saúde (OPAS) mas perdeu esse status em fevereiro de 2019 ao reportar 10 mil casos de sarampo em 2018. A redução da cobertura vacinal proporcionou um ambiente populacional menos protegido ao sarampo e ao aparecimento de novos casos. Na capital paulista a cobertura vacinal chegou a ser de em torno de 100 % em 2014 mas caiu para 90% em 2018. Houve ainda casos importados de sarampo na cidade de São Paulo oriundos de Israel, Noruega e Malta. Até julho de 2019 foram reportados quase 500 casos de sarampo no Estado de São Paulo. Esse número de casos é o maior em 20 anos, como resposta o governo do Estado está promovendo campanhas vacinais tratando a faixa etária dos 15 aos 29 anos como prioritária, mas pessoas com mais de 30 anos não vacinadas ou com apenas 1 dose também podem ser imunizadas. As vacinas estão disponibilizadas nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), em postos volantes instalados em estações do Metrô, CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo), ViaQuatro e ViaMobilidade. O governo anunciou que fará vacinação em escolas publicas municipais e estaduais, faculdades, empresas privadas e condomínios.

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