Guia de Exâmes

Guia de Exames

CITOLOGIA EM MEIO LÍQUIDO

Epidemiologia do Câncer de Colo de Útero

O carcinoma do colo do útero, apesar da possibilidade de detecção precoce, ainda é considerado um grande problema na saúde pública mundial principalmente em países em desenvolvimento. Responsável por, aproximadamente, 570 mil novos casos por ano e sendo o quarto tipo mais comum em mulheres, é também a quarta causa de morte mais frequente por câncer na população feminina.

No Brasil, a estimativa até o ano de 2022 é de 16.590 novos casos por ano. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, trata-se do segundo câncer mais incidente nas regiões norte, nordeste e centro-oeste. Na região sudeste ocupa a quinta posição.

Prevenção do Câncer de Colo de Útero

O principal fator de risco para o Carcinoma de colo de útero é o Papilomavirus humano (HPV), que é dividido em subtipos de baixo risco, os causadores de verrugas genitais, e os de alto risco, que junto a outros fatores podem levar ao câncer cervical.

O desenvolvimento deste tipo de câncer é lento e gradual, de modo que as alterações de potencial maligno podem ser detectadas precocemente através do exame preventivo, a colpocitologia ou papanicolaou, método de escolha para o rastreamento do câncer de colo de útero.

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Papanicolau

O método de papanicolaou convencional consiste na coleta de células da ectocérvice e endocérvice, seguida pela disposição em lâminas de vidro e fixação* do material. Apesar de ser bem estabelecido nos programas de rastreamento, a metodologia convencional possui limitações que podem resultar em amostras insatisfatórias ou falso-negativos, sendo elas:

• Sobreposição de células;
• Presença de interferentes, como hemácias, células inflamatórias, muco, dentre outros;
• Dessecamento do material quando há uma fixação inadequada;
• Baixa sensibilidade (pequeno número de células permanece na lâmina).

A Citologia em Meio Líquido

A metodologia em meio líquido foi desenvolvida no intuito de diminuir as limitações da citologia convencional. Além de reduzir o índice de insatisfatoriedade, a técnica permite a otimização do exame em diversos aspectos. De fato, sua introdução resultou em uma redução de casos insatisfatórios de cerca de 9% para 1 a 2%. O Programa de Acreditação do

Colégio Americano de Patologia (CAP), já apresentou um índice de 0,3% a 1,4% versus 1,5% da citologia convencional, considerando que o parâmetro de amostras insatisfatórias estabelecido pela OMS e pelo INCA é de até 5%.

Além da adequabilidade da amostra, estudos apontam que a citologia em meio líquido reduz os casos de falso-negativos e demonstra maior sensibilidade na detecção de lesões de alto grau. Em resumo as principais vantagens de sua implementação são:

*processo químico para preservação das células.

• Pouco ou nenhum desperdício do material coletado, evitando perdas indesejáveis de amostra celular;
• Ausência de problemas com fixação;
• Maior sensibilidade - Redução de resultados falso-negativos;
• Possibilidade de testes moleculares na mesma amostra;
• Baixo índice de insatisfatoriedade;
• Padronização do preparo técnico, possibilitando a confecção de lâminas com material em monocamada.

As Metodologias

Há diversas plataformas de citologia em meio líquido validadas no mercado, havendo diferenças no processamento técnico, assim como na coleta. As principais metodologias empregadas nas técnicas automatizadas se baseiam em:

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Método por Filtragem

As células são depositadas na lâmina, por meio de pressão. Neste tipo de processamento, através de um único equipamento, a amostra é agitada e cria-se correntes no fluido capazes de separar os detritos, dispensando interferentes como o muco, sem causar lise celular. Então, o material é submetido a filtragem e por vácuo, uma fina camada de células é transferida para uma área delimitada na lâmina.

ThinPrep e Cell Preserv são as principais metodologias que utilizam desse princípio.

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Método por Gradiente de Densidade e Sedimentação

O método converte o material diagnóstico suspenso no meio fixador em uma amostra padronizada e concentrada, sendo a principal etapa o enriquecimento celular, que garante a representatividade das células de interesse, sem interferentes.

Para esse enriquecimento, é utilizado um reagente específico de densidade, dessa maneira forma-se o sedimento celular através da centrifugação otimizada pela separação do gradiente de concentração. Os processos de pipetagem da amostra e coloração também são automatizados e garantem que o material da lâmina tenha coloração uniforme e disposição celular em monocamada.

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Controle de qualidade

Visando a excelência na qualidade técnica, o DB Patologia possui as acreditações de controles de qualidade interno e externo CitoNET, contando também com uma equipe composta por profissionais graduados e com especialização em citopatologia

As medidas de qualidade adotadas pelo DB patologia, incluem:

• Revisão de todos os casos positivos, insatisfatório ou com histórico clínico relevante;
• Revisão de 10% dos casos negativos;
• Monitoramento constante dos níveis de insatisfatoriedade e representação epitelial.

Exames complementares

De um modo geral, as infecções sexualmente transmissíveis (IST) são assintomáticas, por
esse motivo há uma grande dificuldade no diagnóstico clínico, se fazendo necessária a
detecção dos patógenos para um diagnóstico assertivo.

A metodologia em meio líquido também possibilita a realização de exames complementares,
como a hibridização in situ, a captura híbrida e o PCR para a pesquisa de ISTs. Além do HPV,
entre os principais patógenos estão:

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Referências

WORLD HEALTH ORGANIZATION. International Agency for Research on Cancer. Globocan. Acesso em 2020.
INSTITUTO NACIONAL DO CÂNCER. Controle do câncer do colo de útero. Disponível em: www.inca.gov.br. Acesso em 2020.
INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (Brasil). Estimativa 2020. Incidência do Câncer no Brasil. Rio de Janeiro: INCA, 2020.
A.C. CAMARGO CANCER CENTER. Centro de Referência de Tumores Ginecológicos. Câncer do Colo do Útero. Disponível em: www.accamargo.org.br/sites/default/files/2019-08/cartilha_CancerDeColoDeUtero.pdf
Stein MD, Fregnani JHTG, Scapulatempo C, Longatto-Filho L. Identification of cervicovaginal flora in liquid based Surepath™. Results of rodeo study. Citotech Online. 2015;(1):14-20
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Diagnóstico laboratorial de doenças sexualmente transmissíveis, incluindo o vírus da imunodeficiência humana, 2013.
COLLEGE OF AMERICAN PATHOLOGISTS. Accreditation Program. Cytopathology Checklist, 2018
INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA (INCA). Manual de Gestão da Qualidade para Laboratório de Citopatologia. 2ª edição.
Rio de Janeiro; 2016.
BD. BD PrepMate automated accessory. Disponível em: www.bd.com. Acesso em 2020
Hologic. Aptima + ThinPrep Cervical Health. Disponível em: www.hologic.com. Acesso em 2020
Eurocytology. Automation and Liquid Based Cytology. Disponível em: www.eurocytology.eu. Acesso em 2020
Kenyon S; Sweeney BJ; Happel J, Marchilli G E, Weinstein B; Schneider D. Comparison of BD Surepath and ThinPrep
Pap Systems in the Processing of Mucus-Rich Specimens. Cancer Citopathol. 2010 Oct 25; 118: 244-249

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