Vírus Nipah: o que é, como se transmite e porque acende um alerta para a saúde pública
Publicado em: 10/02/2026, 19:23
O vírus Nipah, identificado em surto recentes no Sul e Sudeste da Ásia, voltou a chamar a atenção de autoridades sanitárias e especialistas em saúde pública por seu alto potencial de gravidade. Trata-se de um vírus zoonótico, capaz de ser transmitido de animais para humanos, e que pode causar desde sintomas inespecíficos até quadros graves, como encefalite e insuficiência respiratória.
De acordo com o patologista clínico Dr. Julio Cesar Lemes Macedo, médico do DB Diagnósticos, o vírus Nipah pertence à família dos paramixovírus, um grupo de vírus de RNA de fita simples. “O Nipah foi isolado pela primeira vez durante um surto ocorrido na Malásia, entre 1998 e 1999, e desde então é responsável por diferentes episódios na Ásia, especialmente em regiões do Sul e Sudeste do continente”, explica.
O principal reservatório natural do vírus são morcegos frugívoros do gênero Pteropus, conhecidos como morcegos-das-frutas. No entanto, outros mamíferos, como porcos e cavalos, também podem atuar como hospedeiros intermediários e transmitir o vírus aos seres humanos.
A infecção pode ocorrer por contato direto com animais infectados, pelo consumo de frutas contaminadas, pelo contato com superfícies contaminadas e, de forma menos frequente, pela transmissão entre pessoas. “A transmissão interpessoal é mais rara, mas já é documentada e exige atenção, especialmente em ambientes hospitalares”, alerta o médico.
Os sintomas iniciais da infecção pelo vírus Nipah costumam ser inespecíficos, incluindo calafrios, fadiga, tontura, vômito e diarreia. Em casos mais graves, a doença pode evoluir com comprometimento do Sistema Nervoso Central, levando à encefalite, e do sistema respiratório, com risco de óbito.
Nesse contexto, o diagnóstico laboratorial desempenha um papel fundamental. Segundo o Dr. Julio, os testes utilizados incluem cultura viral, detecção do RNA do vírus por métodos moleculares e sorologia para identificação de anticorpos IgM. “Isso demonstra a importância do laboratório clínico não apenas no diagnóstico, mas também no seguimento dos casos e no controle epidemiológico dessa zoonose”, reforça.
Especialistas destacam que, apesar de não haver registros da circulação do vírus Nipah no Brasil, o monitoramento de surtos internacionais e o fortalecimento da vigilância laboratorial são essenciais para a prevenção, detecção precoce e resposta rápida diante de possíveis ameaças à saúde global.
Sobre o DB Diagnósticos
O DB Diagnósticos tem capacidade para realizar 35 milhões de exames por mês e atende 11 mil clientes em todo o Brasil por meio de suas unidades de análises clínicas descentralizadas, além das quatro unidades especializadas — Toxicologia, Biologia Molecular, Patologia e Genômica —, e as mais de 30 unidades regionais de apoio distribuídas por todo o país. Com uma equipe de 3 mil colaboradores, a empresa oferece um portfólio com mais de 5 mil tipos de exames.